sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Vida de Escravo

 Vitória Huhn Scabelli dos Santos
Alexandre, escravo, com 23 anos de idade.
Escravo desde os 10 anos. Vivia na casa de seu dono. Estava doente. Maus tratos. Saudades dos tempos que não tinha esse tipo de agressão. Sem dentes.
Dor. Sofrimento. Tristeza. Quantas emoções eu vivi em Paraty. Toda vez que saía na rua lembrava-mede coisas ruins que passaram. Construir Paraty. Ruas. Guerras. Igreja.
Enfrentava todo dia o Caminho do ouro. Sol. Chuva. Cortes. Muita dor. Um dia não vou mais precisar passar por isso! Enquanto isso, tenho que encontrar ouro. Meus pés estão doendo! Não para! Você consegue imaginar isso?!
Família. Saudades de todos. Quero vê-los pela ultima vez. Traziam alegria. Amor.
Teve um dia que tentei fugir. Estava com medo de ser pego. Morto. Sofrer com o chicote?! Prefiro morrer! Tropeço nas pedras. Meu senhor, não! PÁ-PÁ-PÁ. Três tiros. Dor. Escuridão.


Abre, Fecha. Paraty

Vinicius Toscano Araujo

            Brasil. Estado, Rio. Cidade, Paraty, casa, porta. O turista, com flash, encantado, olha em volta, para fotos bonitas, artista excelente, ele pretende flash na igreja, na casa, na porta. Nhéééé... Abre, fecha. Porta.
            Vendedor, irritado por água, preciso, onde é que eu encontro? Nhéééé... Abre, fecha. Porta.
            Os amantes, sentados no banco, desenham: a igreja, a casa, a porta. Separados de família. Medo. Dois anos se escondem, pergunta vem, pegos serão? Nhéééé... Abre, fecha. Porta.
            O estudante, vizinho de estado, navega com os olhos. Tédio, estuda nervoso, anota, 1 dia para 10. Os olhos pousam na casa, na porta. Nhéééé... Abre, fecha. Porta.

            Brasil, Rio, Paraty, na casa conversas alegres. Turista mostra as fotos, pessoas falam, lindos ficaram! Vendedor pergunta, água aonde? Os amantes apresentam desenhos lindos de Paraty ou lindo por amantes? O estudante, preocupado, perdeu sua turma... O vendedor anuncia: ciranda hoje, querem ir? Um por um, abriu, fechou a porta.


AMNÉSIA

Tomas Rodrigues Álvares de Almeida Amaral


Na praia, sinto a ressaca da noite passada, no bar do alemão. Sinto a luz do sol em meu rosto deste paraíso que é Paraty... Em volta sinto tudo girar, efeito da bebida. Sigo a estrada em direção a cidade adormecida, observo o despertar da cidade. Reparo que quem observa a rua olha em meu rosto com desgosto, aflição. Reparo em uma poça d’água que realmente meu rosto não agrada. Penso em me lavar em uma dessas praias de águas claras, com leves ondas. Ao chegar à praia entro na água com a maior inocência, sinto a tontura anterior combinar-se com as ondas, e me derrubar, acabando com meu equilíbrio, minha dignidade e minha vida...

Paraty, Cidade de Ouro

Roger Moreira Alho

Carlos. Homem casado, mal humorado, classe alta. 50 anos de idade.Dono de São Bernardo.   Foi a Paraty para ganhar a vida.
 Paraty! Cidade bonita. Um porto seguro e grande. Moderna. Com um Forte grande. Garantia segurança.
 Conheceu Olivia, na Ilha da Madeira. Nossa terra.Paraty, por quê? Cidade de jogar capital para o alto.
     São Bernardo. Fazia tudo: vinho tinto, cana-de-açúcar.
     Olívia. Tricotava. Tinha 30 anos. Belas pernas. Fazia blusas. Vendia também.
     Vida boa. Cidade com porto. Tenho muito dinheiro. E que lugar maravilhoso.
     Depois de bom tempo, os negócios começaram a cair, São Bernardo não produzia como antes. Não transportava ouro como antes.Já havia previsto isso, tudo estava se modernizando.
    Maldita maria fumaça. Me fez mudar e passar por tudo aquilo novamente. E mais uma cidade desértica e abandonada.


Paraty, eu prometo

Roberta Ares

Eu era novo demais. Não sabia o que fazer. Esperava ataques. Piratas, corsários, nada. Vista bonita. Mar transparente. Era espelho e paisagem. Pude ver as escamas dos peixes do alto. Maravilhoso.No Defensor, visão plana, ótima. Portal para sorte ou azar.
Eu era mãe, pai, família. Proteger os residentes e a cidade. Meu dever.Vivi ali quando pequeno. Igrejas, pessoas, casas, nada mudou. Apenas restaurou.Protegeria meu lar. Protegeria você, Paraty. Até o último instante. Sem me arrepender. Prometo.
BUM... primeiro... BUM... segundo... BUM... terceiro... BUM... acabou...

Abra os olhos. Viu? Nada destruído. Quando o próximo vier, feche-os de novo. Irei proteger você, Paraty. Prometo.


Paz e Calma de Paraty

Renata Mendonça dos Santos

            Bem-te-vi , bem-te-vi ... Despertei ao som da natureza .
                Tum , Tum , Tum ... Passos se ouviam no pé-de-moleque , calçamento histórico de Paraty . Quanto sofrimento se passou ali ! Quantos escravos ali andaram !
                Chuá ,chuá ... Ouvia enquanto sentava-me à beira mar para ali observar a beleza de todo lugar . Lembrei-me de minha infância , quando era apenas uma garotinha com uma visão inocente do mundo . Agora via tudo com outro olhar . Naquele momento senti uma paz interior . Há quanto tempo não sentia algo assim .
                Au ,au , au ... O cachorro por ali passava , e a simplicidade de um cão carente me fazia observá-lo . Ah ! Como devia ser terrível :abandonado e carente . Passei por momentos assim em minha vida , porém tudo passou e hoje não é diferente . “ Palma , palma , palma , pé , pé , pé “, os cirandeiros passavam cantando com alegria , enquanto me lembrava de meu passado . Aquele canto me encheu de alegria . Saí cantando e dançando junto deles .

                Dong-dong , dong-dong ... Fez o sino da igreja Santa Rita , enquanto passava pela praça e ali em frente sentei-me e pude respirar ar puro . Positividade . Quis ficar ali o resto da vida , tremenda paz e calma para a alma . 

Urbanização

Pedro Dalseno Garcia

        A cada passo nas ruas irregulares de Paraty me lembro das calçadas de São Paulo, quebradas, rasgadas por raízes de árvores. Uma tentativa desesperada de conseguir um espaço na selva de pedra.
        Passando pela igreja Santa Rita escutei as doze badaladas. Corri incessantemente ao hotel para não perder o ônibus. Enfim cheguei, ofegante, com as pernas gritando por um descanso.

        Na estrada vendo o mar de Paraty, as montanhas, o vasto verde que cobre quase tudo, imaginei São Paulo antes da urbanização. Como deveria ser linda, não? As árvores, os rios e tudo que há de bom em uma floresta destruída pelo desejo de conquistar. Um absurdo! Mas, um dia a natureza vai retomar o que é dela por direito.

O Grande Forte

Nicolas Nordi Lopes

O mar estava calmo como uma noite de verão. As montanhas no horizonte. O dia perfeito para um passeio com a escola. O Forte era incrível, os canhões, os muros, a casa de pólvora. Como era quando ativo?
1852. O mar agitado. Não se via muito bem as montanhas devido à fumaça. Vários navios piratas chegando. Não daríamos conta! Os piratas finalmente conseguiriam invadir? Não! Ainda tínhamos esperança! Os canhões destruíram boa parte deles. Agora era com os soldados na cidade... Batalha difícil... Mas Vencemos!

Ah! Como devia ser emocionante viver naquela época.


Momentos Antes da Morte

Matheus Brust
Estou na praia. Sinto a areia em meus pés. O mar me arrepiava... ShShSh... Lembro-me de minha falecida esposa... ShShSh... Dói-me o coração. Caminho. Sigo as ruas. Tropeço numa pedra. Quase caio. Olho para frente. Caminho. Segue-me um cavalo... CLOC... CLOC... Espero que estejafeliz... CLOC... CLOC... Seja no céu, rezo para ela... CLOC... CLOC... Mesmo em outro lugar, que ela descanse em paz. FOM, FOOM... Vem um ônibus em minha dire... BUM! Estou junto a ela.

Cidade Inalterada

Marina Ponce Garcia
            Paraty. Fauna e flora em abundância. Orgulho brasileiro. O porto com suas marés. Estou a bordo... Quantos barcos aportaram antes de mim? Carregados de mercadorias. Café, escravos, açúcar... Uma variedade de afins. Cada qual em uma época. Como será? Ter vivido naquele tempo. Já posso descer?
            De minha consciência e do balanço suave do barco. Terra. Uma terra regada em suor, lágrimas e louvor. As casas ao longe... Ah! Momento perfeito para registrar. A âncora balança a cinco centímetros da água. Clic. Os sinos badalam. Blem. Clic. Meio-dia, o sol em toda sua exuberância. Quantos mais avistaram o sol desse mesmo solo? Desse mesmo pé-de-moleque? Não sei...
            Avisto a casa ao longe. Branca e amarela. Continua a mesma. Nesse novo mundo, minha cidade é um porto seguro. Imaculada. Uma lembrança de que o passado vive... pulsante. Quantas lembranças deixei para trás. Uma menina, no auge dos seus seis anos. Corre e cai. Um menino de sua idade a ajuda. Olham-se em uma conversa muda. A menina enrubesce. É uma promessa silenciosa. Ficaremos juntos. Sempre. Eu em seu coração e você no meu. Lágrimas me embaçam a vista. A promessa se mantém tão viva quanto pode uma promessa de criança.

            Eu e você. Juntos em uma Paraty só nossa. Só nossa. Nossa Paraty.


A Fugitiva

Maria Clara F. Coimbra

  Caminho na rua da Matriz com dificuldade.Tenho que usar um salto alto e um vestido que se arrasta no chão.Papai me obriga, nenhuma mulher usa calças, mas as épocas são outras e temos modelos mais curtos.Não discuto.Visto-me com raiva.
     A carruagem quebrou e saio com Matilde, a governanta. Desde que mamãe faleceu é a ela que confio tudo.
     Hoje papai vai embarcar para Portugal a negócios. Vou despedir-me no cais. Diabos. Meus pés doem. Isso é jeito de moça falar?
   Antônia. 16 para 17 anos. Assim é como sou apresentada para Pedro. Segundo meu pai, meu futuro marido. Vou me casar, em março. Vou me casar como mamãe, que em um dia me contou que se casou sem nenhum sentimento por papai e ao longo da vida aprendeu a amá-lo. Não quero. Já estou decidida sobre o que fazer, enquanto penso em Joaquim. Namoro-o escondida há alguns meses e já é o bastante para saber que não preciso aprender a amá-lo. Boa viagem, papai.
     Na calada da madrugada, encontro-me com Joaquim que já está de malas prontas. Roubei dinheiro do cofre da família, despedi-me de Matilde. Amo você. Lágrimas nos olhos. Vá com Deus.

E minha vida começa com Joaquim. Para onde vamos? Eu não sei. Visualizo a Igreja Nossa Senhora dos Remédios e passa pela minha mente tudo, desde minha infância. Tudo o que eu passei nessa cidade enquanto ofegante subo no barco do pai de Joaquim. Eu te amo. Felicidade corre nas minhas veias. Eu também. Vemos a cidade ficar para trás e toda a felicidade para frente.


A cidade dos sonhos

Marcelo Yamato
            Um lugar cheio de árvores, montanhas e lindos mares… Quem não iria morar numa cidade como Paraty?
            Foi quando minha vida mudou completamente. Ansioso, cheguei a Paraty. Primeira impressão: minha nossa! E o que era para ser apenas um passeio, virou um lugar para se viver.
            Paraty. Uma cidade diferente de São Paulo. Calma. Ruas estreitas. Pouco movimentadas por carros, motos e ônibus. Sem barulho de sirene, buzinas de carro... Dava até para ouvir o som que o mar fazia. Chuá... Chuá... Chuá... Paraty era tudo de bom.
            Cada dia que passava me perguntava: Por que não conheci Paraty antes?

            Entrei em várias lojas. Comprei pulseira, relógio e alguns enfeites. Todos bonitos e de boa qualidade. Aproveitei cada dia, como se fosse o último da minha vida. Decidi que iria morar aqui, para sempre.


Paraty -o que tem de tão ruim

Luccas HenriqueM. Bejarano

A caminho de Paraty, umas 6 horas de viagem.Eu, Márcia, minha classe e mais outras duas. Uma demora para chegar. Ufa! Depois de 3 horas de viagem a primeira parada: comemos algumas coisas e voltamos para o ônibus.Mais 3 horas.Só para chegar já demorou uma eternidade.Até que enfim chegamos! É uma cidade muito bela! Valeu a pena tantas horas de viagem.
 Quando passeamos pela cidade, vimos várias características daquela belíssima cidade.Vimos casas, ruas tortas, com pedras onde talvez tivessem passado pessoas com nossas riquezas.
 Vimos casas bonitas, antigas com detalhes que só poderiam ser encontradas lá, uma cidade muito tranquila. Visitamos tantos lugares incríveis.

Senti algo que nunca mais vou esquecer.

Correria

Lucca Sobral
Dong ,dong , dong... O desespero invadiu todos da cidade.Estava confuso, em choque.
    O que estava acontecendo? Saí correndo, para uma loja, quase caí por causa do calçamento .Fiquei escondido por um tempo . Me acalmei . Saí de lá ...
BOOM , BOOM , BOOM !!! A igreja estava destruída , soldados me empurraram para o lado .  Estavam correndo para o Forte e para a praia . Defendendo a cidade.
   Foi quando avistei navios ao fundo para nossa defesa.Fiquei paralisado...Amedrontado BOOM!! Tudo ficou escuro , embaçado ... escurecendo ...

   Alguém chamou meu nome . Estava tudo embaçado , recebi a notícia de que havíamos vencido .Tomei um copo d’ água e me acalmei . A cidade estava destruída , mas conseguimos sobreviver.


El Perrito

                Lucas Quispe


Acordei em frente do mar, aquela areia macia. Olhei em volta e bocejei. Comecei a ouvir um assobio ‘’FIU-FIU’’ fui até lá, mas era só mais um Nossa! Que bonitinho. Eu já estava acostumado com isso, mas me senti triste e magoado do mesmo jeito. Continuei andando por entre o labirinto que é Paraty. Aquele chão já me deu muita dor de cabeça, já torci minhas patas várias vezes, por isso gosto de andar na ciclovia.                                                                                Ouvi um assobio do outro lado. Fui correndo, mas fui atropelado. Minha vida toda passou por meus olhos e dormi novamente.


Magoas Passadas

Lígia M. Moraes
Estava arrumando um quarto há muito tempo esquecido. Achei algo! Minha velha bicicleta, quantas lembranças... Na estrada, pedalando. A caminho de uma aventura? Não, apenas uma cidade. Paraty. Não tinha ninguém, apenas minha companheira metálica. Ah! Que cidade linda! Ruas difíceis, quase quebrou o pedal. Casas coloniais... Moça bonita na janela. Jaqueline! Me mostrou o mar, os barcos, abriu a porta para um novo olhar. Apaixonei-me. Casei-me numa igreja cheia de histórias... Anos se passaram. Estou sozinho novamente.
Oh! Que ideia! Partir em uma aventura, rejuvenescer, voltar para aquela cidade mágica. Buscar lembranças de minha artesã... Mais uma vez na estrada, apenas eu e minha companheira metálica... Desesperado para voltar à praça da Matriz – onde conheci Jaqueline – em frente da igreja onde casamos...

Vamos voltar à juventude! Cometer novos erros, não seria maravilhoso?


Voltando ao passado paraentender futuro

Vinícius Pinto Leite
Em minha vida,sempre viajei. Já havia viajado ao redor do mundo,quando decidi ir para Paraty.
Quando adentrei o centro histórico, uma série de sentimentos e emoções tomou meu corpo e minha mente.Não sentia mais meus sapatos, sentia apenas aquelas ruas tortuosas, as pedras dolorosas.

As fachadas das casas se transformaram, no jeito que eram... me sentia familiarizado com as casas.Sentimentos de ira tomaram minha mente. Sentimentos diferentes.Sentia meu corpo ser chicoteado.Todas as minhas forças haviam se esgotado,porém não conseguia parar de andar ... Até que senti meu corpo livre voando como um pássaro em direção ao sol.


Meu Mundo

Stephanie Conrado da Silva
Andando nas ruas de Paraty. Com formatos de leque. Na chuva! Estava eu Stephanie, estudante da PV.13 anos. Tímida e chata. Junto ao grupo caçando imagens...que tédio isso!...uma hora dessas era para eu estar dormindo...Puf! Voltei ao mundo real. Estávamos em frente à Igreja da Matriz. Famosa Igreja de Paraty. Ouvindo o coordenador falar...
Que tédio não? Voltamos para a Pousada. Nosso lar! Xiiiiiiii...Ah que saudades daquele menino...  TOC! TOC!
Uhu! tempo livre. Já não aguentava mais! Prililim! Pego o celular correndo. Alô Nego, tudo bem? Eu estou! Que saudades de você! Te amo muito, Nego? Beijo!...tututu... desligou!

Voei!...Estou tão feliz, falei com ele... Saudades! Contente eu fui...


Cavaleiro e seu Cavalo

Pedro Modenesi Moraes

Idiotas... É ilógico, sobrevivência do mais forte? Talvez... Ai!É a terceira vez que caio nessas ruas pé-de-moleque! Eu gosto muito de Paraty, principalmente suas belas igrejas como a da Nossa Senhora dos Remédios, mas essas ruas... As odeio! Odeio aqueles caras...!
         Ai! Não! Dói... Porque eles me batem? Não é justo! Claro que não, filho, mas ela melhora quando você encontra alguém para compartilhá-la. Isso! Como um escudeiro! Um dia vou achar um escudeiro e me tornar um cavaleiro! Então vou mostrar para eles! Hahaha!

         Olha, finalmente, a praia. O quê? Um cavalo. Seria você meu escudeiro? Nove anos... e só agora você aparece... Foi-me muito útil. Ei! O que você está fazendo com meu cavalo?! Sua dona? É bonitinha...


Paraty

Nilos J. Karavitis
O homem caminha pela cidade, foi até o centro e andou pelas ruas.
Bairros, restaurantes. Ele morava em Paraty. A igreja para onde ele foi, lembra dentro da igreja um cinema. O mar lembra um filme de mar.
Barcos lembram pra ele um filme de navios. As portas lembram pra ele um filme de Castelo. As lojas lembram pra ele casas de filmes de época.
A TV do quarto lembra para ele: séries e filmes de TV.

O Forte lembra para ele filmes de piratas.


Minha cidade dourada

Matheus

Pelos caminhos de doce na sacada europeia, da noite surge minha amada. Amo-a tanto! Imensa é minha felicidade quando posso vê-la.
         Das luzes fracas, as estrelas iluminavam a praça da Matriz. Tão linda era quando casou minha mãe. Algum dia lá me caso, pode acreditar!
         Naquele tempo de sol, os pés de moleques se lotam. “How are you?” de cá “Çavabien?” de lá... Quanta gente estranha!

         E do sossego da cidade carioca, renasço a todo dia que abraço.


RARIDADE

Martim Kessler
Sou Felipe. 74 anos. Moro em Paraty. Cidade bonita, antiga. Mas também com muita miséria.
Escravos trabalhando seminus, desnutridos, enquanto os seus senhores olham com desdém, quase rindo.
Sou um padeiro, trabalho perto da igreja Santa Rita. Um dia, resolvi andar pela cidade,pelo chão pé-de-moleque, quando me deparei com uma criança. Era negra,desnutrida,com os osso quase saindo pela pele.Fiquei com pena.Levei-a para minha casa,tratei-a,dei comida,banho e perguntei-lhe o nome: João.
Decidi ficar com João.Senti um certo afeto por ele.Tratei como meu filho e prometi a ele que quando tivesse idade iria treiná-lo para ser o próximo padeiro.
Até que um dia,quando ele tinha 8 anos,bateram na minha porta.Fui atender.Era um senhor,parecia rico,se chamava Leonardo e procurava por João, escravo criança.Fiquei aflito,não demonstrei.Amava demais João para deixá-lo com um estranho.Falei que não vi.Ele foi embora.

Criei João escondido,até crescer.Ensinei-lhe a ser um padeiro e logo depois me retirei.


Forte fortaleza, forte sentimento

Luiza Badra
            Ando saltitando pelas ruas pé-de-moleque. Atrapalhada como sou, não andaria normalmente sem cair ali. Sorri ao passar pela Igreja da Matriz. Era o último dia. Via um céu infinito com nuvens fofinhas acima de mim. Meu destino era o Forte.
            Chegamos. Acomodei-me num muro de pedra. Balancei as pernas, tranquila. Uma brisa passava por mim e o sol queimava meu rosto. Maldito protetor solar! Esquecido na mala...

            Ali, porém, estava livre e em paz. Feliz! Essas sensações me inundavam como uma grande onda. Respirei fundo. Será que voltaria a me sentir assim de novo?


Memórias inesquecíveis

Luan Fazza Teixeira

Esses dias estava eu caminhando pelas ruas horríveis de Paraty. Relembrei de todo o meu passado, da minha família reunida, dos meus amigos, da minha escola e da história de lá. Olhava para os lados e via os símbolos maçônicos nas casas e todas as características desta cidade maravilhosa.
No dia seguinte fui até o Forte e lembrei dos BUM! BUM! BUM! Soldados atirando nos invasores . Lembrei do meu passado e de tudo que eu vivi lá.
Depois que fui embora do Forte, peguei um ônibus segui até o Caminho do Ouro. Lembrei dos TAH! TAH! TAH! Escravos apanhando com chicotes de seus donos, quando não obedeciam.

Agora aqui estou eu, vivinho da silva com uma baita saúde,sem doença nenhuma, andando para tudo quanto é lado.


Aventuras em um forte passado

Leonardo F.

Eu sou José Pereira - ex defensor de Paraty -93 anos de idade, loiro, forte, 1.93 de altura, um monstro.
Um dia desses, com minha mulher e filha, visitamos o Forte, mas não é qualquer forte, é o forte usado para defesa do ouro na época da mineração. No caminho, na trilha, lembrei-me de quando usávamos armas de curta distância para abatermos inimigos, quando jogamos os defuntos morro abaixo, dava para ouvir até o barulho dos galhos, clack.
Quando cheguei ao topo, avistei meu canhão, preto, parecia olhar para mim, quantos inimigos devo ter abatido 1000?10000?100000?
Não tenho a menor ideia. Lembro-me do Bum,Bum,Bum e o TCHAAA do navio afundando.
Fui para a antiga sala de armas. Lembro das defesas, principalmente quando salvei Crina, minha esposa, quando perdemos as armas para um canhão, o sentimento de ter falhado.

E com uma bela vista do mar de Paraty, encerro minha visita.


A Viagem

Laura Lisboa de Freitas
Fui a Paraty com um grupo de amigos. Um grupo de novos amigos.
Não queria ir, estava num conflito interno comigo mesma.
Tinha horas que queria morrer, e tinha horas que queria aproveitar o melhor da vida e Paraty me ajudou a decidir isso.As igrejas eram lindas. A maré me acalmava. As ruas me distraíam, e as lojas me encantavam.
Caminho por Paraty, me lembro do passado. O passado que EU deixei passar.Como eu fui deixar elas se transformarem naquilo? Como? Quem vive em Paraty é muito humilde, simples e feliz. A felicidade imensa deles conseguiu me contagiar um pouco, e me deixou feliz.
A maré invadindo as ruas é uma coisa de que eu sempre vou me lembrar.O suor do mar encharcando a cidade, aquela sensação de frescor invadia meu corpo, como a água e as ruas.
E o passeio de escuna? O vento batendo em meu rosto e refletindo em meus cabelos. A comida deliciosa e o mergulho em alto-mar com meus amigos.

Foi a melhor viagem que eu já poderia ter feito.

Lembranças vivas

Laís Paschoal
Em Paraty, morei por 6 anos! Artesã. Lojinha humilde por 3 anos! Tinha 19 na época e pus meu nome: Artesanato da Bianca! Um sucesso ano passado!
Minha rua, a do Comércio, enchia nas marés altas. Quando se ouve: Chuá!Chuá! Cabrum! Chuá! Minha loja parece formigueiro.
Altas paixões! Cor branca no ar! Paraty? Um Paraíso!
Andava devagar para sentir calma. Minha nossa! Como era bom! Os diferentes cantos, a suavidade do transporte marinho.
Foi na praia... estava feliz com meu amor. Ouço Pá! Pá! Pá! Tiroteio? Virei-me. Clarão! Tudo desapareceu!
Estava voando, mas vendo-me deitada? Sim! No centro de uma roda de desconhecidos. Como assim?

O sol se aproximava, caminhava nas nuvens e conversava com Deus. Deu-me a dica do livro! Contei minha história escrita!

Frio e Calor

Kenjiro Igarashi
O vento do mar batia em nossos corpos, silvando em nossos ouvidos. Frio estava ou parecia estar.                                                                                  
Em nossa caminhada estavam algumas lojas ou talvez casas, suas portas com cores distintas.                                                                                            
O outro lado de nosso caminho feito de pedras, um manto de água o cobria. Calmo. Criando um perfeito reflexo.                                                            
O vento bate de novo fazendo o reflexo ficar turvo.As cores começavam a se misturar , coloquei minha mão entre as cores.Quente estava.Diferente do que havia sentido mais cedo .                                                          
Enquanto observava aquela divergência de cores, pude ver de relance um reflexo branco, que atravessou o manto. Me virei. Uma garça a bater suas asas sobre nossas cabeças.                                                                       
Não parecia estar sentindo frio ou calor, apenas uma sensação contínua. Para mim, pareceu ser liberdade.

Sonhando como Paratiense

Julianno Mori Kondo
                Vi a maré chegando...chegando...chegando...chegando... Inundando ruas conhecidas pelo passado. Andando no pé-de-moleque traçando novos caminhos para uma vida melhor. Parecem férias!Lembranças...Lembranças...lembranças...Cidade maravilhosa! Em que andei, caminhei, sonhei. Casas me olhando em uma cidade padronizada.
            Virando cada esquina, novo símbolo desconhecido,ajudando a história para uma nova vida. Passando pela Nossa Senhora dos Remédios. Lembrando, sonhando.

            Feliz ou triste nasce o dia numa nova esquina nas minhas conquistas. Ganhando ou perdendo vivo na maravilha de uma cidade encantadora – Paraty...Paraty...

Cidade de Paraty

Juliana Souza
            Eu, Juliana Souza Gonçalves, aluna, 15 anos, extrovertida e companheira. Estava andando nas ruas difíceis de Paraty, vendo as lindas casas e comércios. Quando de repente! Cabrum! Começou a chover... Corri para um lugar coberto. As ruas começaram a encher e eu não vi o chão. Depois de uns 10 minutos, a chuva parou !uhu! Voltamos a caminhar pelas ruas de leque e observar, tirei muitas fotos. Voltei para a pousada Condessa para almoçar...
No dia seguinte fui fazer atividades. Fiz a brincadeira noturna! Xiiiiiii! Escutei uma histórua real de terror. Tive que ir sozinha para a igreja. Quando deu 22:00 horas tocou o sino! BlemBlem! Cheguei na pousada e fui tomar banho! ChuáChuá! Deitei e dormi...

No dia seguinte fiz a brincadeira da troca... toctoc... Bati na porta. Pedi roupas de meninos...Dancei e fui dormir...

Paraty e seus versos

João Ricardo

     Eu estava andando por Paraty,observando a linda fachada de casas,pisando nas ruas  pé-de-moleque, sentindo o odor de maresia, com um lindo e imenso céu azul. Às vezes pisando nas salgadas poças d’água, apreciando artesanatos e pequenos detalhes nas casas.

    Escuto suaves diálogos de moradores. Caminho com meus amigos observando a história do local. Ei, vamos pescar! Escuto. Maria, o almoço está pronto! Paraty resumida em uma palavra seria paraíso.

A Romântica Paraty

Eliza. 30 anos. Paulista.
Paraty, cidade maravilhosa! Aqui nos anos 80, acredito ser a melhor época para visitá-la. Magia no ar durante o dia, romantismo à noite. Todos se encantam com detalhes, os mesmos que naquela época me entediavam.
Agradeço a minha escola e a excursão. Conheci-o melhor. Conheci meu noivo. Com 10, 14 anos, só queria diversão. Trocamos cartas. Breves encontros. Ensinou-me tudo que sei. Banhou-me de cultura.
Virei guia turístico. Guiava escolas, grupos de visitantes. Ensinava sobre os detalhes, os mesmos que me entediavam.
Agora, aqui ao lado de minha filinha e meu marido, observo escolas, turistas, e vejo minha pequena se divertir encantada com histórias a frente da igreja Santa Rita, como se fosse uma borboleta livre e colorida.



Jennifer Paciencia de Deus

Amante de Paraty

Isabela Midori Mello de Souza
Eu, Sebastião. Aposentado. Viúvo. Morador. Amante de Paraty.
Moro aqui há 72 anos. Conheço minha cidadezinha de olhos fechados. Lembranças do meu passado com a minha esposa. Ah!mais que saudade do mar... Chuá, Chuá! Igreja Nossa Senhora dos Remédios PLIM, PLOM! Passeios de mãos dadas. Ai, Ai! Festas religiosas lá, lá, lá!
Ando todos os dias. Pelas ruas pé-de-moleque. Vejo novas lojas sendo abertas. Pessoas. Turistas. Línguas diferenciadas. Forte Defensor Perpétuo. Caminho do Ouro.
Por isso não troco por nada. Cidadezinha. Adorável. Simples. Beleza. Sempre. Paraty.


O Pescador

Guilherme Dobon
Pesco tranquilo. Meu barco está no meio do mar de Paraty. A bela paisagem da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios está na minha frente. A cidade está em silêncio total. Só possível ouvir o piar dos pássaros.
Hoje Paraty amanheceu ensolarada e aconchegante como sempre. Minha vara começa a puxar. Pesquei um peixe. Pelo jeito é grande. Faço uma enorme força para tirá-lo da água. Mas, vale a pena, é enorme.
Com certeza irá satisfazer o almoço de minhamulher e de meu filho. Voltando para casa, a pé, percebo a tranquilidade de Paraty. Fico feliz. Aquela cidade é perfeita! Abro a porta de casa.Querida, cheguei! Meu filho vem correndo me abraçar. Almoço com eles e vou dar um cochilo super contente com aquela perfeita simplicidade. Amanhã é sábado vou a praia com meu filho. Tenho que descansar.

Entrevista na escuna

Giulia Cavalanti Gomes

Acordei.Tomei café. Peguei os materiais necessáriose fui. No caminho andei na areia. Macia. Áspera. Fria. Quente. Chegamos na ponte. Era de madeira. Pelos buracos da ponte se via o rio. Azul. Limpo. Logo atrás estavam as milhares de árvores que cercavam o local. Baixas. Altas. Coloridas. Verdes. Vista maravilhosa aquela.
Chegamos. Nos apresentamos. Começamos com as várias perguntas que havíamos preparado. Simples. Complexas. Curtas. Longas. Ele respondia as perguntas. Pensava. Muito. A entrevista acontecia. Comecei a lembrar da minha infância. Das primeiras entrevistas da minha vida. Andando pela escola e entrevistando os diversos professores. Mas, lá estava eu. Realizando uma verdadeira entrevista. Grande. Crescida. Mudada. O tempo havia voado.
BAM! Bom-dia, alunos! Escrevam cinco perguntas e saiam pela escola para entrevistar outros professores.

Paraty, a cidade amaldiçoada

                                                                                                        Fernando Nascimento Veríssimo
Ai! Mas que droga, terceira ou quarta vez que tropeço nessas ruas empedradas. Estou louco para sair dessa cidade maldita. Não consigo nem andar aqui! Quem teve a ideia idiota de vir para cá? Ah é, foi minha.
Repleto dessa energia negativa que vem de tempos passados em que Paraty era centro de escravidão. Me lembro de quando estava na escola, ainda criança, aprendendo sobre a cidade do ouro. Carroças de ouro podre para cá, carroças de escravos para lá...
Não vejo como os paratienses conseguem viver aqui nessa cidade amaldiçoada, que outrora carregava uma história de escravidão, tortura, roubo e derramamento de sangue.

Ai meu Deus! Chega! Partindo de volta para casa, na minha grande e movimentada cidade, extremamente capitalista, para nunca mais voltar para esse maldito chão, maldito pé de moleque.