Pedro Dalseno Garcia
A cada passo nas ruas irregulares de Paraty me lembro das
calçadas de São Paulo, quebradas, rasgadas por raízes de árvores. Uma tentativa
desesperada de conseguir um espaço na selva de pedra.
Passando pela igreja Santa Rita escutei
as doze badaladas. Corri incessantemente ao hotel para não perder o ônibus. Enfim
cheguei, ofegante, com as pernas gritando por um descanso.
Na estrada vendo o mar de Paraty, as
montanhas, o vasto verde que cobre quase tudo, imaginei São Paulo antes da
urbanização. Como deveria ser linda, não? As árvores, os rios e tudo que há de
bom em uma floresta destruída pelo desejo de conquistar.
Um absurdo! Mas, um dia a natureza vai retomar o que é dela por direito.
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