sábado, 15 de novembro de 2014

As águas de Paraty - Yasmin Rodrigues

A paz lhe tomava. Estava apaixonado. Ah, como ela era linda, quanta beleza. Meu Deus, era uma sereia que estava repousando sobre a areia quente.
O jovem Paraty foi aborda-la, seus olhos olhos eram de uma imensidão azul, lindos e misteriosos como o mar. Ao se aproximar dela, a jovem levantou-se a caminhou em direção ao mar. Espere, moça, disse. Mas ela não o ouviu.
No momento em que ela entrou no mar, ouvi um canto maravilhoso. Ele não desejava mais nada além daquela moça e sua voz e, por isso, ele correu até a água. Cuidado! Mas já era tarde demais. Ele caíra na imensidão do mar à procura de um amor que poderia ser vivido. Socorro, socorro! - gritava o jovem ao perceber o que tinha acontecido. Já era tarde, não havia mais ninguém na praia e ele pensava estar sozinho naquele imenso mar. Talvez, ele ainda não tivesse notado seu amor já transformado pela magia das águas. 
O homem do sino - Victor Lonel


Lá estava ele do lado do sino. A cara toda suja, as mãos ensanguentadas e com uma machadinha na mão direita. Quando vi aquilo, não tive como não ficar curioso e amedrontado. Caminhei até a porta da igreja e a abri. Assim que a porta se abriu, senti um cheiro forte de carniça, mas não sabia de onde vinha, até perceber o corpo no chão do altar. Quanto mais eu caminhava em direção ao corpo, mais forte ficava o cheiro. Ao chegar ao lado do corpo, vi que não se tratava de um homem qualquer, mas sim do padre. Vendo aquele corpo, não tive dúvidas, saí correndo até a minha casa, tranquei tudo e, apavorado, tentei dormir. 
Depois do ocorrido daquele dia, fiz minhas malas e voltei para casa. Porém, alguns amigos dizem que, durante algumas noites em Paraty, é possível encontrar um homem vestido de preto, com uma machadinha na mão e ao lado do sino. O motivo dele, todos desconhecem. 
Sem título - Marina Borges

Sentia o medo dela de longe, não sabia por que, mas sabia que havia algo no barco que estava deixando-a apreensiva. Convidei-a para entrar no mar comigo, mas ela se negou. Continuei insistindo, mas a resposta permanecia a mesma: NÃO. 
Quando me pediu para entrar no mar com ele, recusei logo de cara, não queria me afogar como ocorrera no passado, quando tinha 5 anos. 
Eu não compreendi o porquê ela havia recusado o convite e, receoso, perguntei-lhe:
Não queria confessar que já havia me afogado, pois tinha medo que ele risse de mim.

Percebendo que ela se calara, ele propôs entrar primeiro no mar e esperá-la, assim poderia evitar qualquer problema. Ela, pensativa, olhava-o. Ele prometeu a ela que cuidaria dela e que não sairia de perto dela. Ela sorriu, criou coragem...SPLASH...e não se afogou.



Pensamentos - Rafael Gusmão

Eu não estava acreditando, estava ali, deslizando pelas históricas vielas de Paraty. Caminhando nas ruas onde nobres passeavam com o suor e sofrimentos dos escravos.
Fiquei ali, parado, apenas observando as casas e esquinas desertas, tentando recriar o passado na minha cabeça, reconstruindo a história com meus olhos, hipnotizado com minha própria imaginação, vivenciando essa experiência única que nenhum livro ou professor conseguiria me proporcionar.
Eu olhava para todos os lados, encantado, e mesmo sabendo que não havia ninguém ali, eu reconstruía o passado e suas histórias: pessoas entravam e saíam de suas casas e estabelecimentos. 
Na verdade, eu sabia que tudo aquilo não passava de uma breve ilusão, sabia que aquele passado poderia nunca ter existido, que era apenas uma fantasia presente em minhas lembranças.