sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cidade Inalterada

Marina Ponce Garcia
            Paraty. Fauna e flora em abundância. Orgulho brasileiro. O porto com suas marés. Estou a bordo... Quantos barcos aportaram antes de mim? Carregados de mercadorias. Café, escravos, açúcar... Uma variedade de afins. Cada qual em uma época. Como será? Ter vivido naquele tempo. Já posso descer?
            De minha consciência e do balanço suave do barco. Terra. Uma terra regada em suor, lágrimas e louvor. As casas ao longe... Ah! Momento perfeito para registrar. A âncora balança a cinco centímetros da água. Clic. Os sinos badalam. Blem. Clic. Meio-dia, o sol em toda sua exuberância. Quantos mais avistaram o sol desse mesmo solo? Desse mesmo pé-de-moleque? Não sei...
            Avisto a casa ao longe. Branca e amarela. Continua a mesma. Nesse novo mundo, minha cidade é um porto seguro. Imaculada. Uma lembrança de que o passado vive... pulsante. Quantas lembranças deixei para trás. Uma menina, no auge dos seus seis anos. Corre e cai. Um menino de sua idade a ajuda. Olham-se em uma conversa muda. A menina enrubesce. É uma promessa silenciosa. Ficaremos juntos. Sempre. Eu em seu coração e você no meu. Lágrimas me embaçam a vista. A promessa se mantém tão viva quanto pode uma promessa de criança.

            Eu e você. Juntos em uma Paraty só nossa. Só nossa. Nossa Paraty.


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