Angelo Sapiense
Vespasiano
Eu não podia, mas
como eu queria! Esse pensamento me ocupava, horas e mais horas. Será que posso
encontrar alguém, me apaixonar. Não tinha nem saído da caravela, nas praias de
Paraty, e já não conseguia desviar meus pensamentos.
Mandaram
carregar as pedras, do navio, até uma rua chamada Rua do comércio. Da praia até
a Rua do Comércio. Eu olhava cada mulher que passava. Todas lindas. Uma saltava
aos olhos. Incomum e bela. Uma mulata assim como eu, com um belíssimo vestido
branco. Paixão... Sentimento no mínimo forte.
Fui
ao mercado onde eu era o produto. Fui arrebatado por um Senhor de Engenho,
sujeito que para ser cruel precisava ser muito mais bondoso. Cheguei na minha
nova... Casa, por assim dizer. Imagine minha surpresa quando descobri que
aquela maravilhosa mulata era mais uma das amadas de Seu João, meu dono. Fui
logo procurar a minha amada. Encontrei. Me declarei. Nos beijamos, e Bamm...,
a bengala de Sr. Paulo quebrando nas minhas
costas.
Acordei
no pau de arara. Fomos separados por um homem, mas unidos por um amor. Toda
semana nós nos encontrávamos a luz da lua, guiados por uma paixão. Era o amor
vencendo o medo, nós guardávamos os segredo a sete chaves no fundo do coração. Certa
vez ela não apareceu. E de novo... E de
novo... E de novo... E de novo. Um mês sem notícia nenhuma. Ela me esqueceu? Me
deixou? Estou só de novo?
Muitos
meses depois vim saber pelo próprio Sr. João que minha mulatinha tinha dado
cria, cria que não era dele e por isso ele foi obrigado a matá-la. Só não matou
a criança porque ela não tinha culpa. Vivi os anos que vieram, vazio e inconsolável,
mas o que me trazia de volta a realidade era meu filho. Saudades de uma mulher
maravilhosa. De uma história de amor, não finalizada. Do último adeus.

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