sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Amor através das treliças

Arthur Weiss

Dong...Dong...Dong...As badaladas do sino da Igreja da Nossa Senhora dos Remédios anunciavam a chegada da temporada de prosperidade. Logo corria, a Sinhá para as treliças. O amor pelo negrume cansado devido ao exaustivo Caminho do Ouro desabrocha. Mas um, na multidão, se destaca. Cheio de feridas sangrando, foram apenas dez chicotadas.
            A Sinhá se apaixona. Logo vai atrás de um sonho. A felicidade. Muito velha para amar, com seus 20 anos, faz tudo escondido. Quando se conhecem, o negro ferido retribui com um amor clandestino.
Chega o dia da realização. Juntos, prestes a fugir em direção ao infinito das águas, conseguem uma embarcação. Mas o Senhor com influência descobre a desvirtude de sua cria. Com dois tiros em cada um, tudo termina.

O casal num pensamento conjunto Pá! O maravilhoso dia em que nos conhecemos. Pá! No dia da chegada, como as costas negras sangravam. Pá! Os beijos nos encontros escondidos. Pá! Um amor clandestino. Agora um amor infinito.

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