Branca Rodante Vicente
Junto com a água,
passeio pelas ruas de pé de moleque. Vejo pessoas andando, cuidadosas,
carinhosamente, atenciosamente.
Sempre que chego a uma cidade nova é assim. As pessoas me
olham diferente e notam que não sou de lá. Talvez pela aparência ou pela fala.
Logo em seguida nem me notam mais. Pode não ser uma
cidade tão famosa, mas é conhecida.
Passo pelas igrejas e casas que vigiam silenciosamente a
cidade. São como as da Europa, mesmo beirais, mesmas portas e janelas.
Depois, sigo deslocadamente a maré até a praia. Pessoas
conversam alegres na areia. De repente me volta aquela sensação de
deslocamento. Estou sozinho novamente.
Não deveria ser normal se sentir um peixe fora d’água.

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