Carolina Benelli Baptista
Eu. Agora. Parado. Em meio a uma das ruas de pedra da bela cidade “Caminho
do Ouro”. Lembranças, fatos... Tudo à tona em minha mente.
Daqui, observo toda a cidade. Cada detalhe, uma lembrança. Cada
lembrança, um sentimento.
As ruas inclinadas. Soldados em cima, escravos em baixo. Pobres homens,
condenados à morte e ao trabalho. Sem futuro. Caminhando sem rumo para si,
seguindo o rumo dos outros. Feições tristes. Desanimadas. Sem opção.
As casas. Mais casas. Sendo construídas, reformadas, completadas,
terminadas...
Igreja. Blem, blem... Meio-dia, almoço. Famílias
unidas e felizes. Mais trabalho. Mais escravos. Mais soldados.
Barcos. Ao longe, navios. Mais trabalho. Mais escravos.
Soldados do Forte observam. Bela baía. Calma. Sem problemas.
A maré sobe e as ruas enchem. Eu aqui, parado, assustado, magoado.
Descansado em pleno paraíso.
Saudades, Paraty.

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