sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Névoa Paratiense

              Marina Gonçalves Fodra

Guio-me pelas centenárias ruas da cidade. Tortuosas. Feitas com sangue e alma de milhares. Marcadas por solas de todos os cantos do mundo. Sinto o sol aquecer meu sorriso, ainda oculto pelos meus pensamentos. Pisco. Uma. Duas. Três vezes. O que me levou até lá? Destino. O que é o destino? As ruas não têm um fim. Têm curvas. Alguém tropeça. Entendo-o; não era para chegar até a curva. O destino não quis. O alguém desaparece.

Vejo as ruas marcadas pelo tempo.                                                                   
Quem pode ter certeza de quanto tempo se passou?                                
Relativo. A mim cabe observar. Não julgo. Não faço. Só penso.                   

O tempo passou como o vento. Ninguém se deu conta. De repente, a cidade foi erguida. Foi abandonada. Foi repopulada. De repente, eu estou aqui.

Acordei.                                                                                                       

Paraty. Sábia, acolhedora, maravilhosa.

Pisquei.        
Uma;           
Duas;                 
Três vezes.

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