Marina Gonçalves Fodra
Guio-me
pelas centenárias ruas da cidade. Tortuosas. Feitas com sangue e alma de
milhares. Marcadas por solas de todos os cantos do mundo. Sinto o sol aquecer
meu sorriso, ainda oculto pelos meus pensamentos. Pisco. Uma. Duas. Três vezes.
O que me levou até lá? Destino. O que é o destino? As ruas não têm um fim. Têm
curvas. Alguém tropeça. Entendo-o; não era para chegar até a curva. O destino
não quis. O alguém desaparece.
Vejo as
ruas marcadas pelo tempo.
Quem pode
ter certeza de quanto tempo se passou?
Relativo.
A mim cabe observar. Não julgo. Não faço. Só penso.
O tempo
passou como o vento. Ninguém se deu conta. De repente, a cidade foi erguida. Foi
abandonada. Foi repopulada. De repente, eu estou aqui.
Acordei.
Pisquei.
Uma;
Duas;
Três vezes.

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